No ponto de ônibus eu espero o 767. Ponto lotado, graças a deus consegui sair cedo. Sou o segundo na fila. O onibus chega, dou cinco reais para o trocador.
-Meu filho, senta aqui perto porque eu nao tenho troco.
Beleza, eu sento na cadeira em frente a ele.
Abro a janela. Hoje fez 42 graus, um calor insuportável e o pior que eu trabalho numa sala onde só tem um ventilador.
Deixem eu falar do meu trabalho. Toda vez que alguém compra algo para a empresa você precisa preencher um DPS. Minha função é carimbar e grampear DPSs. Só iss que eu faço o dia inteiro.
Começo a cochilar quando o trocador me chama.
-Toma teu troco!- e me dá tudo em moedinhas.
Valeu filho da puta, agora vou andar na rua e parecer um chocalho.
Cochilo denovo, e acordo uns 30 minutos depois. Mal tinhamos saido do lugar. Olho pela janela e vejo uma batida: Um caminhão bateu num onibus que bateu numa moto. Tinha sangue ali. Eu só queria chegar em casa, esquentar o prato de comida e descansar.
A viagem de onibus cansa mais que o meu trabalho em si. Ficar sentado numa cadeira não muito confortável, com alguém geralmente maior que voce do seu lado, e num onibus lotado, onde o ar, mesmo com todas as janelas abertas, fica rarefeito de tantos narizes respirarem.
Finalmente passamos pelo acidente. Uma velha do meu lado começa a contar a história dum conhecido dela que bateu também e bláblábláblá. Sempre nas piores horas alguém vem puxar assunto, e você mesmo dando respostas monosilábicas não consegue fazer a pessoa para de falar.
Depois de um hora no onibus, estou na porta de casa. Abro o portão, tiro a minha roupa, tomo meu banho.
Depois de jantado, deito na cama pra ver tevê mas nunca consigo assistir nada até o final. O cansaço me toma antes.
E então, eu durmo.